O número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no Brasil registrou uma queda de 9,2% entre 2024 e 2025, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O contingente passou de 1,65 milhão (4,3% da população na faixa etária) em 2024 para 1,499 milhão (4% da população de 5 a 17 anos) em 2025.
Na comparação com o ano de 2016, quando o país registrava 2,1 milhões de menores nessa condição (5,2% da população), a redução acumulada chega a 28,6%.
De acordo com o pesquisador do IBGE Gustavo Fontes, a queda no último ano é reflexo de múltiplos fatores socioeconômicos e de atuação governamental:
Políticas sociais e de renda: O programa Bolsa Família tem papel de destaque ao assegurar uma renda mínima para famílias em situação de vulnerabilidade. O contingente de trabalho infantil entre os beneficiários do programa caiu 41% entre 2016 e 2025.
Cenário macroeconômico: O mercado de trabalho aquecido, com taxas de desocupação atingindo mínimos históricos e o aumento da renda domiciliar per capita, também contribuiu para o recuo.
Faixa etária: O trabalho infantil avança conforme a idade: atinge 1,1% das crianças de 5 a 13 anos (280 mil), sobe para 5,9% na faixa de 14 e 15 anos (348 mil) e chega a 14,5% entre os adolescentes de 16 e 17 anos (871 mil).
Piores formas (PTI): Do total de ocupados de forma irregular, 525 mil crianças e adolescentes estavam submetidos a atividades consideradas as piores formas de trabalho infantil (como exploração sexual, escravidão e tráfico de drogas), o menor patamar da série histórica (1,4% da população da faixa etária).
Recorte demográfico: A maior parte dos trabalhadores infantis é composta por homens (65,4%) e por pessoas pretas e pardas (67%).
Distribuição regional: Em números absolutos, o Sudeste concentrou o maior contingente (481 mil), seguido pelo Nordeste (408 mil). Em termos proporcionais, a Região Norte apresentou a maior taxa (6,3%).
