Os auxiliares e técnicos de enfermagem do Distrito Federal decidiram entrar em greve a partir da próxima segunda-feira, 17 de junho, após tentativas frustradas de negociação com o Governo do Distrito Federal (GDF). A categoria reivindica melhores condições de trabalho e reajuste salarial. A decisão foi discutida nesta terça-feira (11) em plenário na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
Durante a reunião realizada hoje (11) com a Secretaria de Economia e a Casa Civil do GDF, as pastas avaliaram o impacto das reivindicações no orçamento e recusaram as propostas apresentadas pelo sindicato. Diante da negativa, os profissionais optaram pela paralisação, comprometendo-se a respeitar a Lei da Greve (nº 7.783), que define as condições para o exercício do direito à greve.
Repercussão na CLDF
No plenário, o deputado Jorge Vianna (PSD) destacou a importância dos técnicos de enfermagem, a maior categoria da saúde, composta por 9 mil profissionais distribuídos em mais de 500 unidades do Distrito Federal. “Esses profissionais, que já estão exaustos após enfrentar uma pandemia e uma epidemia de dengue, não tiveram reconhecimento de nenhum governo”, afirmou Vianna.
Os trabalhadores alegam que o GDF não cumpre o piso nacional estabelecido pela Lei nº 14.434, de 2022. A norma determina que a remuneração dos servidores da área deve corresponder a um percentual do piso dos enfermeiros: 70% para técnicos e 50% para auxiliares.
A deputada Dayse Amarilio (PSB) apoiou as reivindicações, argumentando que os técnicos de enfermagem não desejam fazer greve, mas se veem obrigados devido à falta de reconhecimento e valorização. Amarilio destacou que os técnicos demoram 25 anos para atingir o topo da carreira, enquanto outros profissionais da saúde alcançam o mesmo patamar em 18 anos. “O que já está ruim vai se tornar uma verdadeira zona de guerra. Precisamos ter respeito por essa categoria e dialogar”, defendeu a parlamentar.
Outras categorias em greve
Ainda na sessão, o deputado Pastor Daniel de Castro (PP) alertou sobre a possibilidade de paralisação de outros profissionais, incluindo os servidores da Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF). “Um dia de paralisação da PGDF representa menos R$ 7 milhões em arrecadação, sendo que a recomposição da carreira requer R$ 3 milhões ao ano”, destacou.
O deputado Chico Vigilante (PT) relatou a situação dos vigilantes das unidades básicas de saúde, que trabalham como terceirizados pela empresa Ipanema. Esses profissionais entraram em greve hoje, denunciando atrasos nos pagamentos e a falta de depósito do fundo de garantia há 11 meses. Vigilante também acusou a empresa de receber valores destinados ao uniforme dos vigilantes sem efetuar a compra. “Ou a Secretaria de Saúde do DF rompe o contrato com essa empresa picareta ou vou afirmar nesta tribuna que o governo está promovendo a picaretagem”, declarou.
A greve dos técnicos e auxiliares de enfermagem, somada à possibilidade de paralisação de outras categorias, evidencia a necessidade urgente de diálogo e soluções por parte do governo para evitar prejuízos aos serviços públicos e garantir melhores condições de trabalho e remuneração aos profissionais envolvidos.
Foto: Carlos Gandra/ Agência CLDF
