Heloísa Helena/Toninho do PSOL: as bolhas que não contagiaram

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Heloísa Helena2006: Heloísa Helena brilha, mas não puxa

Criado em 2004 (com registro nacional em setembro de 2005) por integrantes expulsos do PT após o que esses consideraram como desvios programáticos, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) conheceu já em sua primeira eleição um resultado notável, a então Senadora Heloísa Helena (AL) obtendo a terceira maior votação nacional em 2006 (6,85 % dos votos válidos). O Distrito Federal ofereceu à mais conhecida adepta do figurino blusa branca-calça jeans sua segundo maior votação percentual do País (só atrás de Alagoas) com 12,27 % dos votos válidos (o dobro da votação de Cristovam Buarque – PDT na Capital Federal).

No mesmo ano de 2006, Toninho (ex-Administrador de Brasília no Governo Cristovam) foi candidato ao Buriti, obtendo a 4ª colocação com 4,24 % dos votos, e Maninha (eleita Federal pelo PT em 2002) tentou a reeleição, obtendo a 12ª maior votação para Federal com 3,50 % dos votos válidos. Paulo Roberto Ferreira foi o mais bem votado para Distrital, reunindo modestos 1.730 votos (0,13 % dos válidos). Nas eleições proporcionais, longe de eleger um representante, o PSOL (então coligado com PSTU e PCB) não conseguiu nem um terço dos respectivos Quocientes Eleitorais).

2010: Toninho provoca segundo turno para o Buriti mas também não puxa

Plínio Sampaio é o candidato do PSOL à Presidência da República, já que Heloísa Helena tenta reconquistar sua cadeira de Senadora por Alagoas (sem sucesso). No DF, a estrela é Toninho, candidato ao Governo oferecendo, na prática, uma terceira via entre o tradicional embate PT (representado por Agnelo Queiroz) x Roriz (tendo a ex-Primeira Dama Dona Weslian como expoente). Com quase 200 mil votos e 14,25 % dos válidos, Toninho influencia tanto o pleito em 4 de outubro que ele provoca o segundo turno na corrida ao Buriti. No entanto, seu time de candidatos proporcionais, que seja a Federal ou a Distrital, não se beneficiou deste maré de sufrágios. Maninha, a companheira de todas as lutas, registra uma 21ª posição para Distrital, com 0,91 % dos votos, e o PSOL como um tudo (sem coligação) 1,78 %, não chegando nem à metade do Quociente Eleitoral.

2014: A dura realidade

Nem a candidata à Presidência (a gauchíssima Luciana Genro), nem ao Buriti (Toninho pela terceira vez) repetem o protagonismo, e o PSOL, um dos raros partidos ideológicos e programáticos do Brasil, em sua terceira campanha no DF, não consegue passar a barra dos 2 % dos votos para qualquer cargo, com exceção de Toninho, com magros 2,24 %. O candidato ao GDF ainda se salva por uma votação concentrada no Plano Piloto, em particular na L2 Norte, mas com resultados (entre 6 e 8 %) nem comparáveis aos de 2010, onde em várias escolas, não só do Plano, tinha passado dos 25 % dos votos válidos.

Maninha para Distrital não consegue nem a metade da votação de 2010 (0,43 % contra 0,91 %), e o conjunto dos candidatos a uma cadeira na CLDF mal completa 40 % do Quociente Eleitoral. Uma situação quase igual a de 8 anos atrás, como mostra este gráfico:

Votação do PSOL no DF

A comparação da votação de Toninho Governador 2010 e 2014 revela que não houve mudança de eleitorado, mas sim uma diminuição generalizada em todas as cidades/zonas eleitorais, de forma proporcional, comprovando que o excelente resultado de 2010, além de não ter sido transferido às candidaturas proporcionais, também não se consolidou:

Votação Toninho Governador 2010-2014

Da Redação do Portal ABBP