O PMDB e o caminhão de mudanças

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Ulisses Guimaraes, PMDBPor Professor Chico

Quem, assim como eu, acompanha o PMDB por décadas e aprendeu a compreender seus movimentos e a decifrar os seus propósitos pelos sinais de seus membros, deve está igualmente perdido com os últimos acontecimentos da sigla.
O PMDB do Doutor Ulysses e também do Quércia, que já foi o partido da transição, que ajudou a derrubar a ditadura, que foi a principal legenda da Constituinte, que garantiu o inquilinato de José Sarney, em nome da governabilidade, que “evoluiu” de nomes como Almino Alfonso, Freitas Nobre e Pedro Simon, para Jader Barbalho, Renan Calheiros Romero Jucá, até chegar “o topo” com Eduardo Cunha, nem de longe é capaz de reencontrar-se e nem ao seu caminho inicial. Lamentável!

O mais grave disso tudo, porém, é que o país, infelizmente, acostumou-se à mão ausente do PMDB em momentos delicados como o que vivemos. O povo nunca foi e jamais será tolo a ponto de imaginar contar com o partido, menos ainda depois que a sigla deixou de ocupar as demais editorias, dando prioridade à de polícia, por conta, principalmente, da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Os principais atores da legenda, não foram alcançados pelo juiz Sergio Moro, mas estão sendo investigados pelo Supremo Tribunal Federal, escudados no “foro privilegiado”.

Enquanto isso, Eduardo Cunha segue rompendo e aderindo ao governo federal, exercitando o que de melhor sabe fazer, pelo demonstrado até hoje em sua “biografia”.

Entendo não ser de hoje que o PMDB deixou de “fazer piquenique na beira do vulcão”, como o doutor Ulysses referia-se a momentos tensos como o atual, para apresentar-se ao Brasil como um cachorro que acaba de cair de um caminhão de mudanças: completamente perdido e sem rumo. Deixando, assim, igualmente perdidos e sem rumo todos os que nele acreditaram por décadas.

Da Redação do Portal ABBP