João Santana, o marqueteiro superestimado que deu um “tiro no pé” da presidente. Duda Mendonça é mais competente

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João Santana e Dilma durante debate na campanha eleitoral do ano passado. Reprodução
João Santana e Dilma durante debate na campanha eleitoral do ano passado. Reprodução

Um bom marqueteiro político não é somente quem faz um político vencer uma eleição – este é o marqueteiro eleitoral –, mas também que seja capaz de enxergar a conjuntura que seu cliente vai enfrentar após sair vitorioso de uma disputa, analisando sobretudo, a possibilidade do cumprimento de promessas que foram feitas durante a campanha. O marqueteiro João Santana, que trabalhou nas últimas três eleições presidenciais do PT, a meu ver nunca será um dos melhores marqueteiros políticos. Por quê? Ficou claro que Santana partiu para o vale-tudo e esqueceu de avaliar como sua cliente, a presidente Dilma Rousseff, governaria o país após o pleito.

O marketing promovido por João Santana na última eleição foi como saltar de um avião usando paraquedas com defeito de fabricação. A princípio, você sente a adrenalina e a emoção do salto, mas no momento de abrir o paraquedas ele acaba falhando e faz com que o saltante morra no impacto. Pergunto: de que adiantou sentir apenas a curta emoção do salto? Ou, sendo mais claro: Dilma venceu a eleição, mas sem condições de cumprir suas promessas de campanha, ou seja, sem nenhum aparato para governar.

Santana parece só se preocupar com o resultado imediato, não com o dia de amanhã. Dilma venceu a eleição de 2014 em boa parte graças a ele, mas está pagando o alto preço por ter usado a mentira como arma para destruir reputações e enganar o povo brasileiro. Está completamente equivocado quem pensa que a impopularidade da presidente se deve apenas ao Petrolão. Foram as mentiras sugeridas por João Santana (por exemplo: prometer não aumentar os preços da água, energia e gasolina, quando, na verdade, se fez o contrário) que estão desgastando a imagem de Dilma como nunca visto desde o governo Fernando Collor.

Prometo que vou ler o livro escrito por Luiz Maklouf Carvalho, intitulado: João Santana: um marqueteiro no poder. Todavia, ele não vai me convencer de que o marqueteiro do PT seja de fato um excelente nome.

A primeira eleição presidencial do PT que Santana assumiu e saiu vitorioso foi a reeleição do então presidente Lula, em 2006. Mas não existiam grandes dificuldades em reeleger Lula. O mundo estava há quatro anos sem ter nenhuma crise econômica e o Brasil surfava nas ondas externas. O problema era a crise política, como a do Mensalão em 2005, já enfraquecida, e do dossiê fajuto, que aconteceu em plena campanha eleitoral de 2006. Santana conseguiu isolar Lula dos aloprados que guardavam dólares na cueca, além de contar com a falta de carisma do adversário do então presidente, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, apelidado de picolé de chuchu.

Em 2010, a então ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sem nunca ter disputado uma eleição, foi eleita presidente da República. Tudo aconteceu graças apenas ao trabalho de João Santana? Conversa fiada. O segundo mandato de Lula terminou de colher os frutos da bonança externa até 2008, fora a gastança com o social em plena crise mundial para Lula sair do Planalto com a popularidade alta e conseguir eleger sua sucessora. Os efeitos colaterais da “marolinha” acabaram sendo sentidos pelo governo Dilma, que não conseguiu neutraliza-los por causa da bolha fiscal gerada durante o segundo mandato de Lula. Durante o primeiro mandato de Dilma, pela primeira vez desde o Plano Real, o Brasil cresceu abaixo da média da América Latina. Como não contava mais com a ajuda externa, Santana agiu apenas como marqueteiro eleitoral e partiu para o jogo sujo no ano passado, tão somente pensando em vencer a eleição. Dane-se depois, deve ter pensado, esquecendo que continuaria a desempenhar o papel de marqueteiro político do governo.

Acredito que Duda Mendonça jamais cometeria o erro crucial que João Santana cometeu, ou seja, o de pensar exclusivamente como marqueteiro eleitoral, não também político após as eleições. Na eleição de 2002, em plena campanha do medo promovida pelo candidato José Serra, Duda poderia ter partido para o embate e promovido a desconstrução da imagem de Serra, mas optou por uma propaganda que pregasse a esperança, tendo o devido cuidado para Lula não prometer o que não conseguiria cumprir depois. Não é a toa que durante a eleição o candidato do PT sempre dizia que “não faria milagres”. A Carta ao Povo Brasileiro, onde Lula garantiu seguir a política econômica de FHC, teve o dedo de Duda.

Em poucas palavras, Duda Mendonça é um marqueteiro que trabalha em boa parte do tempo com a forma do conteúdo, preferindo moldar a mensagem de modo que ela não se resuma apenas a ataques ao adversário, sabendo o momento certo de defender e atacar, como fez em 2002, tendo o devido cuidado para que seu cliente não prometa o que não consegue cumprir. Já João Santana, quando aperta, prefere seguir a cartilha da mentira para vencer, dando preferência aos ataques, mentirosos ou não. Duda prefere ganhar ganhando. Santana, vencer perdendo. Simples assim.

Sobre o autor

Fred Lima é jornalista formado pelas faculdades ICESP/PROMOVE, do Guará/DF. Diretor de Comunicação e Marketing da Associação Brasiliense dos Blogueiros de Política (ABBP), Conselheiro Cultural Distrital do Movimento União Cultural, que atua no Brasil e em outros países e apresentador do Programa A Dama e o Repórter, na Rádio Federal.