DF MOBILIDADE | Faz parte do jogo mudar de estratégia e corrigir a rota

DF Mobilidade

Por Hamilton Silva*

Cansado do modelo adotado até aqui e de bater de frente com o establishment, Bolsonaro decidiu rever sua estratégia.

Se havia algum plano de se utilizar as Forças Armadas para interferir na governabilidade, este plano foi abandonado, para não correr o risco do Brasil se transformar numa pária.

Foto: Marcos Corrêa/PR

Jair Bolsonaro resolveu lutar com as armas do inimigo, optando por ter maioria no Congresso, talvez por isso o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) tenha amenizado em seus ataques.

A recriação do Ministério das Comunicações e a nomeação do ministro Fábio Faria, teve a simpatia até de jogadores de futebol presentes em sua posse, mas com a ausência de Alcolumbre e a cara amarrada do Maia, que nem aplaudiu a fala do novo ministro demonstra que o foco é o Congresso Nacional.

A recriação do Ministério da Segurança Pública amplia o número de ministérios, mas unifica a chamada Bancada da Bala.

O Ministério da Ciência e Tecnologia poderá ser usado como moeda de troca, mandando o astronauta pro espaço.

Os maiores ministérios-moedas (Saúde e Educação) já estão disponíveis, uma vez que estão sendo comandados por ministros interinos e isso reforça as suspeitas quanto à implementação da nova estratégia. Estes dois ministérios são dos que têm maior orçamento (muito cobiçado pelo PSDB, já que nem mesmo nos governos de Lula e Dilma o PT abriu mão) e grande capilaridade em todo o território nacional.

O Ministério das Comunicações, com os Correios, também integram esta lista dos mais cobiçados, inclusive nos grotões. Com destaque no que diz respeito aos veículos de comunicação e distribuição de mídia publicitária.

Com isso, Bolsonaro entregaria os anéis, mas preservaria os dedos: Economia (Guedes) Casa Civil, Infraestrutura (Tarcísio) Desenvolvimento Regional, Relações Exteriores (Ernesto Araujo), Justiça, Agricultura, Direitos Humanos (Damares) Meio-Ambiente (Salles), Cidadania (Onyx, que pode voltar à Câmara, abrindo mais uma vaga no ministério), Defesa, e os Bancos Federais (BB, Caixa, BNDES). O BNB pode entrar na conta da “captação” de parlamentares no NE. As estatais importantes (Petrobras, Eletrobras, Itaipu, etc.) ficam sob o comando de JB.

Garantindo o controle do dinheiro e das políticas de desenvolvimento econômico e social, entregaria os ministérios citados (mantendo o poder de veto, nada de porteira fechada), mas em compensação ganharia maioria na Câmara e no Senado para aprovação de PECs;

A meta de ter 330 deputados e 55 senadores não parece impossível diante da nova estratégia. Com esta meta alcançada, as Medidas Provisórias e outras ações do Executivo poderiam virar o jogo da governabilidade.

Com maioria no Congresso e o maior número possível de governadores, seria o início da construção de uma reeleição em 2022 com outro vice (outra moeda de troca valiosa) na chapa.

É certo que seus adversários (que não são poucos!) e os milhares de inimigos sabem das mexidas no tabuleiro e estão desesperados para o derrubarem agora e não perderem o timing, já que estão atentos ao novo jogo do Capitão. Daí os inquéritos ilegais, o vergonhoso ativismo judicial do STF, o trancamento de suas pautas no Congresso, a ação coordenada de alguns governadores contra ele e outras jogadas sujas, como a subserviência ao Partido Comunista Chinês, são algumas das armas que atacam o governo eleito em 2018.

Essa guinada para o Centrão, haveria de acontecer em algum momento já que muitos parlamentares estiveram alinhados com as causas da vitória do Jair.  Esta parece ser a solução de um estrategista, capaz de abrir mão de alguns territórios para afastar a possibilidade (real) de perda do Reino, sem derramar sangue.

Para o anticomunista Jair, vencer as eleições em 2018 foi apenas uma batalha dentro da guerra travada por ele nos últimos 30 anos. A saber muitas virão.

* Hamilton Silva é jornalista e articulista do DF Mobilidade

 

*Este artigo é de responsabilidade de seu autor.

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