Os brasileiros e os seus “sassás mutemas”

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Aécio e LulaPor Fred Lima

A política brasileira está vivendo de extremismos, ultimamente. Os bons contra os maus, os frios contra os quentes, os amargos contra os doces, os limpos contra os sujos. Toda vez que isso acontece, pode ter certeza que um dos grupos busca (ou já achou) um salvador da pátria, enquanto o outro quer insistir com seu “salvador” que está exercendo o poder. O fanatismo político começa a existir quando o povo passa a considerar que o erro está apenas em algum grupo ou algo, não espalhado. A corrupção no país começou em 2003? Claro que não! Se fosse tão simples assim, Renato Russo não teria cantado nos anos 80 a canção “Que país é este”, que se tornou sucesso naquela geração. A corrupção está arraigada na nação desde os tempos remotos.

O que houve de 2003 até os dias atuais foi uma institucionalização da corrupção que já existia. Ela já era uma senhora velha, cheia de joias e de odor nada agradável. Um país que já tinha José Sarney como Presidente da República seria uma nação puritana? Faça-me o favor! E aqui entro em uma questão interessante. Se o PT institucionalizou a corrupção, os outros partidos querem normatizar o conceito de que ela só passou a existir nos últimos treze anos. Para quê? Óbvio que é com o intuito de se eximirem dos erros que também cometeram enquanto estavam no poder, catapultando com isso o retorno a ele. Não cola.

Tenho profunda admiração pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Nunca neguei isso. FHC foi um estadista do novo Brasil. Só que seu partido está tentando fazer o que o PT fez em meados de 2002, quando havia a necessidade de um salvador da pátria, que pudesse distribuir renda, após o governo austero e comprometido com a estabilidade econômica de Fernando Henrique. Lula, que estava calejado de tanto perder, surgiu como um messias que enfim foi reconhecido pela população. Foi transformado de sapo barbudo em príncipe. E o que estamos vendo hoje não é um povo em busca de outro messias?

Admito que nunca simpatizei com Aécio Neves. Vejo nele o mesmo marketing que usaram com Lula e Collor. Aécio é uma mistura do socialismo com o neoliberalismo. O linguajar simples, mineiro, de homem do povo, é socialista. Já as ideias de saneamento econômico e de privatização, são neoliberalistas. Um produto de marketing criado para agradar todas as classes sociais do País, até mesmo mais abrangente que o marketing lulista e collorido. E aí está o problema: outro político que surge como salvador da pátria. Não como FHC, que já tinha salvado o País com o Plano Real, antes de ser candidato. FHC já tinha a sua obra. Collor e Lula, não. Assim como Aécio.

O único político do PSDB que tem uma obra chama-se José Serra. Sua passagem pelo Ministério da Saúde foi antológica. E qual é um dos maiores (senão o maior) problemas do Brasil atualmente? A saúde. Na época de Serra, o programa de combate à AIDS se tornou referência mundial. Os genéricos foram tirados do papel. Serra recebeu o inédito prêmio da ONU de melhor Ministro da Saúde do mundo. Não é um produto de marketing como Collor, Lula e Aécio. Por isso nunca foi visto como um messias, que despertasse tanta paixão por parte de seus admiradores.

E quanto a Dilma? Ela nunca foi vista como uma salvadora da pátria, mas como uma presidente de transição e continuidade. Seu papel sempre foi o de exercer o poder até que Lula retornasse. Como o petrolão explodiu e jogou mais uma vez o PT na lama, o projeto está indo por água abaixo.

O Brasil só vai mudar quando se conscientizar e deixar de procurar pelo “Sassá Mutema” que possa salvar a nação. Toda vez que a população busca um messias, se dá mal depois. E agora está buscando, como aconteceu em 2002.

Da Redação do Portal ABBP